Asma exige acompanhamento constante

Por Dr. Reginaldo Amaral Batista – Pneumologista Ambulatório I

Segundo a Organização Mundialda Saúde, há 150 milhões de asmáticos no mundo, dos quais 60% são crianças. O Brasil é o oitavo país com maior número de asmáticos, chegando perto de 20 milhões de pacientes. A doença, que mata sete brasileiros por dia, é também a terceira maior causa de internações no Sistema Único de Saúde.

Afinal, o que é essa doença que atinge tanta gente?

O Dr. Reginaldo Amaral Batista, Pneumologista do Hospital Ribeirão Pires, explica que a asma é uma doença inflamatória crônica que limita a entrada e saída de ar pelos brônquios, provocando falta de ar, tosse, chiado e sibilo no peito. A asma tem um componente genético- pai ou mãe com asma tem grande possibilidade de gerar um filho com o mesmo problema e se manifesta normalmente na infância, a partir dos três anos. “Mas pode surgir em qualquer fase da vida”, alerta o Dr. Reginaldo.

Uma vez instalada, a asma vai exigir cuidados durante toda a vida. O primeiro passo, segundo o Pneumologista, é descobrir a causa. “A asma pode ser provocada por processos alérgicos, refluxo gastro- esofágico e como decorrência de sinusites e infecções das vias aéreas”, explica o médico. Além de ouvir as queixas do paciente, o médico pede exames como provas de função pulmonar e endoscopia do estômago para comprovar o diagnóstico.

Dr. Reginaldo conta que o tratamento é feito usando-se broncodilatadores, corticoides inalatórios e em alguns casos, antialérgicos específicos para a asma.

“Antigamente, os corticoides usados no tratamento eram orais e provocavam efeitos colaterais como obesidade, hirsutismo (pelos) e baixo crescimento. Hoje o tratamento evoluiu, mas nenhum medicamento deve ser tomado sem orientação médica porque na dosagem inadequada podem causar danos. Os broncodilatadores, por exemplo, podem induzir a uma arritmia cardíaca”, adverte o pneumologista. Além de tomar medicamentos, o paciente com asma precisa cuidar do ambiente em que vive, eliminando tudo o que possa funcionar como gatilho para as crises, como poeira, perfumes, produtos químicos com odor forte, pelos de animais, baixas temperaturas, cigarro, exercícios físicos.

“Na maioria dos casos, a asma é causada pelo ácaro, um bicho microscópico que vive na poeira. Por isso, é fundamental tirar de casa tudo o que junta poeira, como tapetes, cortinas de tecido, bichinhos de pelúcia, cobertores de lã. Quem tem asma não deve de forma alguma fumar e nem permanecer próximo a quem fuma porque a fumaça do cigarro é outro desencadeante de crises”, alerta Dr. Reginaldo. O médico lembra que, como ocorre em outros processos alérgicos, a asma também é sensível a oscilações emocionais, por isso tratamentos que equilibram o paciente, como a acupuntura, podem contribuir para melhorar a sua qualidade de vida.