Pé Diabético: Definição e Tratamento

Por Dr. Weverton Terci, Cirurgião Vascular do HRP

Denomina-se pé diabético o surgimento de lesões nos pés da pessoa com diabetes, decorrentes de neuropatia periférica, que compromete os nervos dos membros inferiores, doença vascular periférica, resultante do entupimento de artérias, e de deformidades no pé.

As lesões geralmente decorrem de um machucado ou um corte que, muitas vezes, se complicam, com gangrena e infecção, ocasionadas pela má cicatrização, as quais podem resultar em amputação do pé ou perna, quando não se aplica tratamento precoce e adequado.

O risco de amputação de membro de um paciente com diabetes é 15 vezes maior do que na população geral, sendo que 50 % das amputações não-traumáticas de membros inferiores são atribuídas aos diabéticos. Antes de chegar ao estágio em que a amputação do membro é necessária, frequentemente surgem lesões na pele que evoluem para as camadas internas da derme e podem chegar, algumas vezes, a alcan- çar músculos e ossos.

As lesões do pé diabético resultam da combinação de dois ou mais fatores de risco que atuam em conjunto e podem ser desencadeados tanto por traumas internos quanto externos associados à neuropatia periférica, à doença vascular periférica e à alteração biomecânica.

A neuropatia periférica constitui-se num fator significante nesses casos, conduzindo à lesão/ulceração do membro inferior.

Encontra-se presente em aproximadamente 80% a 85% dos casos e pode comprometer os nervos, os motores e os autonômicos.

O componente sensitivo produz perda gradual da sensibilidade da pele, da sensibilidade à dor e à temperatura e perda da propriocepção e equilíbrio. Quanto ao componente motor, este contribui para atrofia e fraqueza dos pequenos músculos dorsais, desencadeando desequilíbrio nos tendões dos membros inferiores, flexores e extensores, deformidades e alterações no modo de caminhar. Já o componente autonô- mico reduz ou suprime o suor nos pés, deixando-os secos e predispondo-os a rachaduras e fissuras, além de desencadear alterações arteriovenosas.

A neuropatia diabética não está clara, porém é pesquisada a partir da verificação da deterioração da função do nervo, subjacente às anormalidades metabólicas e falha na circula- ção sanguínea microvascular.

No que se refere à doença vascular periférica, esta representa uma das principais causas de comprometimento das lesões nos pés das pessoas com diabetes, devido ao entupimento das artérias periféricas, resultante do acúmulo de placas de colesterol e gordura.

Esta doença é quatro vezes mais provável de ocorrer em pessoas com diabetes do que na população em geral e sua incidência aumenta gradualmente com a idade e com a duração da doença. Constitui-se em importante fator de risco para a amputação, devido ao comprometimento da irriga- ção sanguínea em membros inferiores, pois priva os tecidos de adequado fornecimento de oxigênio, nutrientes e antibi- óticos que prejudicam a cicatrização das lesões, podendo consequentemente levar à gangrena.

Entre as alterações biomecânicas, estão as relacionadas com o movimento do corpo, incluindo o comprometimento do equilíbrio e da coordenação motora.

Na mensuração da biomecânica corporal, destacam- -se a força-reação do solo e a distribuição da pressão no pé durante a locomoção, pois o peso passa a não estar adequadamente distribuído ao longo do pé.

Qualquer limitação na extensão do movimento das articulações do pé interrompe a mecânica do andar, o que leva a pessoa a desenvolver um passo disfuncional o qual, certamente, produzirá um dano estrutural maior no pé.

Tendo visto o exposto, nota-se de fundamental importância a avaliação de todo paciente com diabetes por um cirurgião vascular. Este profissional avaliará a presença de neuropatia, a presença de alterações vasculares ou cutâneas e a presença de deformidades.

Desta maneira, poderemos antever o problema e evitar a evolução para infecções e amputações.