Saúde sexual masculina: “andropausa” e disfunção erétil

Por Dr. Marcus Augusto Elias de Mattos – Urologista Ambulatório 2

A disfunção erétil (DE) é definida como a incapacidade de obter ou manter uma ereção suficiente e adequada para a conclusão do ato sexual de forma satisfatória para ambos os parceiros. Estimase que mais de 150 milhões de homens no mundo apresentem este problema. Atualmente são muitas as modalidades de tratamento com altas taxas de sucesso e aceitação.

A ereção acontece por um conjunto harmonioso de mecanismos, iniciando com estímulos psicológicos e físicos que geram respostas orgânicas reflexas para promover a dilatação de dois tubos (corpos cavernosos) altamente irrigados por sangue, localizados no pênis. À medida que esses tubos se expandem, a drenagem do sangue pela periferia do pênis é dificultada, represando mais sangue e otimizando a turgidez para uma ereção completa.

Qualquer elemento dessa cadeia que não funcione bem pode levar à disfunção erétil. Distúrbios de ansiedade, depressão ou sensitivos podem não desencadear o processo de forma efetiva.

Déficit hormonal e uso de alguns medicamentos prejudicam a estimulação total para a dilatação do pênis. Doenças crônicas que aumentam a resistência dos pequenos vasos do pênis (e de todo o corpo), como diabetes e hipertensão arterial crônica dificultam o enchimento pleno dos corpos cavernosos.

Hábitos de vida saudáveis, como o não abuso de bebidas alcoólicas, exercícios físicos regulares e o não uso de tabaco estão relacionados ao melhor desempenho sexual em todas as idades.

O tratamento deve ser individualizado após a identificação do motivo da disfunção erétil. A maioria dos pacientes jovens, sem causas orgânicas para distúrbios sexuais, tem resposta satisfatória após esclarecimentos ou sessões com psicólogos especializados em terapia sexual.

O homem idoso apresenta uma diminuição da função testicular e consequente declínio dos níveis hormonais circulantes, gerando alterações sensíveis na qualidade de vida que podem se manifestar com insônia, fadiga, agitação, perda de massa muscular, queda de cabelo e diminuição da virilidade e da libido.

O termo correto para descrever esses eventos é “Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino – (DAEM)”, uma vez
que o termo mais usado “andropausa” vem de analogia ao termo “menopausa”, que é a parada irreversível da ovulação da mulher,
marcando o fim do período fértil feminino. O homem não interrompe a produção de espermatozoides e não se torna infértil nesse
momento da vida. O homem experimenta um declínio gradual de suas funções hormonais, sobretudo na diminuição do hormônio sexual circulante.

Sendo necessária a reposição hormonal, esta pode ser feita por via oral (em desuso diante da dificuldade em manter uma dose
adequada), via transdérmica, com emplastos ou gel (ainda não dispomos no Brasil medicamentos regulamentados, apenas manipulados) ou via injetável (com várias opções de intervalos de doses e controle dos níveis plasmáticos).

São muitas as opções de medicamentos que otimizam o fluxo sanguíneo peniano para melhorar a ereção em pacientes com sequelas vasculares por doenças crônicas ou mesmo para pessoas saudáveis, geralmente na terceira idade, insatisfeitas
com o desempenho erétil. Podem ser por via oral ou injetável, com ótimos índices de aceitação.

O implante de prótese peniana é uma opção para pacientes que não respondem aos outros tipos de tratamentos. Os modelos mais atuais são dotados de um mecanismo discretamente implantado na região escrotal que, quando acionado, proporciona três estágios de enchimento simulando flacidez, ereção parcial e ereção total. Pesquisas apontam índices de satisfação total em mais de 90% dos pacientes portadores dessas próteses, nos Estados Unidos.

Vários estudos comprovam que a incidência de disfunção erétil aumenta com a idade, mas a dificuldade sexual ou a perda do desejo (libido) não devem ser entendidos como processo obrigatório ou natural do envelhecimento masculino. Desinformação, falsa expectativa ou atitude derrotista são fatores importantes na disfunção sexual do idoso.

A correta avaliação nos casos de disfunção erétil e queixas relacionadas à “Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino – (DAEM)”, podem trazer soluções para a melhoria da qualidade de vida e satisfação pessoal.